terça-feira, 30 de dezembro de 2008


E não é que tive resposta?
Pois fiquei surpreendido por o José Rodrigues do Santos ter respondido ao meu email e até tive direito a um elogio do autor de "O Sétimo Selo".

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

O Sétimo Selo (parte II)

XVI
A cidade era diferente do que esperava. Admirou-se sobretudo com a elegância arquitectónica dos edifícios, linhas distintas que Irkutsk aliava a um certo ar cosmopolita; definitivamente, ninguém diria que estavam numa terra perdida algures no meio da Ásia, a uns meros dois passos da Mongólia. A arquitectura apresentava os imponentes traços europeus do século XIX, elegante e clássica, intercalada por graciosas casas de madeira, aqui e ali um mamarracho da era soviética a destoar na composição quase harmoniosa.




"E bonito, isto", comentou o visitante, sem tirar os olhos das ruas.
"Claro que é bonito", concordou Nadezhda. "Irkutsk era uma cidade aristocrática, conhecida como a Paris da Sibéria."
"Que nome tão burguês", disse ele. "Esses ares parisienses devem ter acabado logo que os comunistas tomaram o poder, não?"
"Estás enganado. Os czaristas resistiram aqui muito tempo, o que pensas tu? Os comunistas só conseguiram entrar na cidade em 1920."
O táxi cruzou toda a parte velha de Irkutsk pela longa Ulitsa Karla Marksa, até apanhar lá ao fundo a Ulitsa Oktyabrskoy Revolyutsii e deixá-los no terminal de autocarros. Nadezhda pediu setecentos rublos a Tomás e entrou na bilheteira, de onde saiu com dois rectângulos na mão.
"Procura a camioneta que vai para Khuzhir", pediu ela.
Tomás olhou para as indicações no topo dos vidros e encolheu os ombros.
"Desculpa, Nadia, não percebo nada", disse, sentindo-se uma nulidade, um verdadeiro peso morto. "Está tudo escrito em caracteres cirílicos."
"B#&%", blasfemou a russa, os olhos em busca da sinalização para Khuzhir.
"Por que razão não aprendem vocês a ler como toda a gente?"





Acomodaram-se nos últimos assentos da camioneta, que já ronronava para aquecer o motor. O veículo enchia-se de passageiros de traços asiáticos e origem evidentemente humilde, buryats que traziam caixas com pintos e sacos de plástico carregados de compras; uns eram camponeses, outros pescadores, e todos exalavam o odor forte das gentes rudes da província. Partiram minutos mais tarde, ziguezagueando pelo emaranhado urbano até deixarem a cidade e gradualmente entrarem na taiga, percorrendo uma estrada paralela à cadeia de montanhas Primorskij Hrebet.



O percurso pareceu-lhes monótono, tão entediante que, embalado pelo balouçar preguiçoso da camioneta, Tomás foi sentindo os olhos pesarem-lhe e a cabeça cambalear, como se respondesse sim aos urros do motor; um e outro solavanco despertaram-no a espaços, fazendo-o endireitar-se com brusquidão e sorrir fugazmente à sua companheira de viagem, mas depressa voltava a deslizar para o sossego, invadido por uma pesada e irresistível lassidão, até que o sono foi assentando e mesmo os abanões mais violentos deixaram de o incomodar.
A súbita percepção de que algo de novo acontecera despertou-o da sua letargia. Ergueu a cabeça e, estremunhado ainda, ignorando o pescoço dorido pelo incómodo da posição em que adormecera, tentou perceber o que se passava. Parada.



A camioneta estava parada. O motor tinha sido desligado e os passageiros erguiam-se com dificuldade dos seus assentos, agarrando sacos e pegando em caixas, esticando-se para desentorpecerem os corpos moídos e soltando as pequenas risadas do penitente que antecipa com alívio o fim do suplício. Olhou para o lado e viu Nadezhda pôr-se de pé, também ela se aprontava.
"Chegámos?"
"Ainda não, Tomik."
O português olhou em redor, sem compreender. Os passageiros continuavam a preparar-se para sair, alguns já saltavam lá para fora, e a camioneta encontrava-se definitivamente estacionada.
"O que se passa?"
"Estamos em Sakhyurta", disse ela, fazendo-lhe sinal de que saísse. "Vamos agora apanhar o ferry."
"Ainda há um ferry para apanhar?" Teve uma expressão de desespero. "Mas esta maldita viagem não acaba?"
Nadezhda apontou para a frente. Tomás olhou e, para além da verdura nua que cobria o parque onde a camioneta se imobilizara, viu um pequeno cais e um vasto lençol de água a reluzir ao sol, os reflexos bailando no espelho irrequieto.
"Temos de ir para o outro lado."
Saltaram para a rua e a russa levou Tomás por um caminho íngreme e acidentado que desembocou no topo de uma falésia, junto a um penedo situado a alguns metros de altura. A vista dali de cima era magnífica; a superfície líquida serpenteava diante deles, cercada por penhascos à esquerda, uma língua de terra em frente e o fio do horizonte à direita, para além do qual se estendia a planície de água.



"Que mar é este?", admirou-se o português.
"É o Baikal."
"O quê?"
"É o Baikal", repetiu ela. "O maior lago do mundo. Concentra-se aqui um quinto da água potável existente em todo o planeta."
Tomás cravou os olhos incrédulos no azul cristalino das águas mansas, agitadas com doçura por uma ondulação ténue.
"Não pode ser. Um quinto da água potável do planeta?"
"É incrível, não é? Em extensão, o Baikal é maior do que o teu país, vê lá tu."
"A sério?"
"Chamamos-lhe a pérola da Sibéria, por ser assim tão bonito." Fez uma careta. "Mas lá na faculdade o Baikal é mais conhecido como a cozinha da Sibéria."
"De pérola a cozinha vai uma grande distância", sorriu Tomás. "Por que razão lhe dão esse nome horroroso?"
"É só na faculdade que lhe chamamos assim", sublinhou ela. "Sabes, este lago é muito estudado no meu curso devido à sua influência em todo o clima da região. E aqui que se cozinha o tempo da Sibéria, daí a alcunha. O facto é que os sistemas meteorológicos da Ásia dançam ao ritmo do que se passa no Baikal."
Tomás contemplou o espelho azul que se intrometia por entre o verdeacastanhado da estepe, como uma estrada, reflectindo o céu e os flocos de nuvens. A água era transparente, tão límpida que conseguia mesmo vislumbrar cardumes a serpentearem sob a superfície, os peixes virando para um ou para outro lado todos ao mesmo tempo, como um único corpo.
"Que pureza", observou, inspirando o ar fresco perfumado pelas fragrâncias da erva rasteira. "Ainda bem que há sítios no mundo onde a poluição não chegou."
A russa afinou a voz.
"Não é bem assim", corrigiu-o. "Existe uma fábrica de celulose em Baikalsk, mesmo na ponta sul do lago, que anda há quatro décadas a despejar detritos nestas águas."
"Não me digas."
"E não é tudo. O delta do rio Selenga, que é tão grande que tem quase o tamanho da França, desagua na margem sul com detritos orgânicos e inorgânicos das minas de Buryatia e da pastorícia da Mongólia. É uma imundície pegada. E o cúmulo é que descobriram agora petróleo aqui no Baikal e querem construir um oleoduto."
"Mas a água está tão limpa..."
"O Baikal é um lago enorme", explicou ela. "E felizmente a poluição tem ficado confinada a zonas específicas, como o delta do Selenga e a ponta sul. Mas, se não tivermos cuidado, qualquer dia tudo isto desaparece."
Tomás suspirou e ficou um longo momento a contemplar o lago. Os olhos percorreram todo o horizonte, começando na pequena enseada à esquerda, onde reluziam os telhados baixos da aldeia piscatória de Sakhyurta, e acabaram por pousar no cais, lá em baixo, onde uma rampa de cimento desembocava na água, como uma ponte inacabada.
"O ferry nunca mais aparece?"
"Ele já vem, tem paciência."
"Vamos para onde, afinal?"
A russa apontou para a língua de terra em frente.
"Para aquela ilha ali."



A ilha erguia-se perto, separada do continente por uma estreita passagem, a terra ondulada acastanhada pela estepe.
"Que ilha é esta?"
"É uma ilha mágica."
O português franziu o sobrolho.
"Mágica em que sentido?"
"É uma ilha xamane, um sítio de meditação onde o mundo da matéria interage com o mundo dos espíritos."
"Estás a gozar..."
"A sério. Este é um sítio sagrado e misterioso, o palco de lendas e de contos de fadas, a casa dos espíritos do Baikal. Os místicos dizem que se encontra aqui um dos cinco pólos globais da energia xamane."
"Ah, sim?" Contemplou a ilha com mais atenção, ardendo de curiosidade, num misto de fascínio e cepticismo, como se esperasse que das suas brumas emergisse o mistério, que da sua sombra se fizesse luz. "Como é que ela se chama?"
"Olkhon."
Quando o ferry apareceu, surpreendeu os dois pacatamente sentados na casa de chá de um acampamento yurt, junto ao lago, a tomarem uma tisana de pimenta e a deliciarem-se com uns pirozhki doces. Terminaram a bebida com vagar, pagaram e caminharam de volta para a camioneta, para onde convergiam já os restantes passageiros. O parque de estacionamento agitou-se em uníssono; ouviam-se gritos e ordens, motores a serem ligados, buzinadelas e portas a bater, eram todos os autocarros, camiões e automóveis que se preparavam para retomar a viagem.



O ferry manobrou até se colocar em posição e, uma vez ancorado em segurança, abriu a sua grande porta e, como um monstro esfaimado de goela escancarada, engoliu os veículos que se alinhavam diante dele. O espaço no batelão não era grande, apenas ali cabiam dois autocarros lado a lado e uma mão-cheia de automóveis, e os passageiros tiveram mesmo de empurrar um dos autocarros pela rampa. Toda a operação acabou por levar mais tempo do que a travessia em si, uma viagem que durou uns meros quinze minutos.



O primeiro ponto por que passaram foi o ventoso cabo Kobylia Golova, o formato das rochas lembrava um cavalo de pedra a beber água no lago. Uma buryat que vinha com eles na popa observou, orgulhosa, os cabelos negros e lisos a esvoaçarem, que Genghis Khan e os seus guerreiros, todos eles também buryat, outrora tinham saciado ali a sua sede.
"Dizem até que o grande conquistador do universo foi aqui enterrado", explicou a mulher.
"Quem?"
"O grande conquistador do universo", repetiu. "Genghis Khan."
Passaram ao lado da pequena baía de Khul e ancoraram em plena estepe, onde o grande barco despejou a sua carga sobre rodas.



Olkhon.
Chegaram a Olkhon, a ilha mágica.
A camioneta retomou viagem e cruzou a pradaria nua aos solavancos, o motor a urrar com a aceleração esforçada, o escape a bufar o fumo negro do gasóleo queimado. A erva rente amontoada em tufos estendia-se até ao lago, mas depressa surgiram sinais de que a paisagem possuía contornos diferentes noutros pontos. Em alguns minutos apareceram renques de árvores à direita; era a taiga que subia pelos montes e disputava à estepe o controlo da ilha; a pradaria estava voltada para a margem norte, a floresta de coníferas virada para o lago aberto. Serpentearam pelas elevações da passagem Khaday e desceram para a planície junto ao Baikal. A camioneta atravessou uma aldeia e prosseguiu, a margem ocidental da ilha a abrir-se em pequenas baías e graciosas enseadas; do outro lado do estreito vislumbrava-se a taiga continental, escarpada nas montanhas. O veículo aproximou-se de um povoado e só então abrandou a marcha.



"Khuzhir", anunciou Nadezhda.
Tomás animou-se no assento. "Chegámos?"
"Quase."
A camioneta imobilizou-se na praça principal de Khuzhir e o motor emitiu um ronco final antes de se calar definitivamente, como o derradeiro suspiro de um moribundo. Os passageiros desaguaram pela porta numa grande excitação e foram acolhidos por vizinhos e conhecidos numa animada algazarra, parecia que a aldeia inteira tinha acorrido à chegada da camioneta em busca das novidades da civilização.

O Sétimo Selo (parte I)

Não resisti a reler o livro do José Rodrigues dos Santos, O Sétimo Selo, que tem vários capítulos passados na Rússia, e em particular na ilha de Olkhon! E porque gostei imenso do livro (que devorei entusiasticamente) não resisti à tentação de ilustrar certas passagens com imagens que fui recolhendo durante a viagem...
Obrigado Zé!

XIII
Contornaram as grandes muralhas fronteiras à rua até o espaço se abrir numa enorme praça que Tomás instantaneamente reconheceu das fotografias.



"Esta é a Krasnaya Ploschad", anunciou Nadezhda.
"Oh", exclamou ele, surpreendido. "Julguei que era a Praça Vermelha."
A russa olhou-o com ar trocista.
"E é", exclamou. "A Krasnaya Ploschad é a Praça Vermelha."
"Ah, bem me parecia. Mas porque lhe chamam ainda Praça Vermelha? Se o comunismo já acabou, não seria lógico mu-darem-lhe o nome?"
"O nome não tem nada a ver com o comunismo."
"Não tem? Esta é a Praça Vermelha e, que eu saiba, a cor do comunismo é o
vermelho."
"É uma coincidência, Tomik", explicou ela. "A praça cha-ma-se Krasnaya Ploschad desde o tempo dos czares. Krasnaya vem de krasnyy, uma palavra que originalmente significava bonito e que passou a querer dizer vermelho."



Os olhos de Tomás ficaram presos ao majestoso monumento que se erguia do outro lado da praça, exactamente como as inúmeras fotografias o mostravam. Era um edifício grandioso, dominado por belas torres com cúpulas em forma de bolbo, pintadas de várias cores; parecia um palácio das mil e uma noites, um brinquedo em tamanho gigante. Não havia engano possível, era aquele o ex-líbris de Moscovo.
"Caramba", exclamou, quase embevecido pela magnificência da arquitectura de conto de fadas. "O Kremlin."
Nadezhda soltou uma gargalhada.
"Não, Tomik. Aquilo não é o Kremlin."
"Como?"
"É a Catedral de São Basílio."



"Mas... mas sempre ouvi dizer que aquilo era o Kremlin..."
"Todos os turistas fazem confusão, deixa estar." Apontou para as muralhas à direita, que tinham contornado desde que saíram do metro. "Isto é que é o Kremlin."



Tomás observou as muralhas cor de tijolo, primeiro surpreendido, depois desconfiado.
"O Nadia, estás-me a pregar uma peta."
"Juro que isto é o Kremlin." Apontou para uma estrutura diante das muralhas.
"Ali à frente, estás a ver? Aquilo é o Mausoléu de Lenine, para onde ia o Estaline, o Brejnev e toda essa gente quando havia grandes marchas militares aqui na Praça Vermelha. Atrás das muralhas é que está o Kremlin."
"Não pode ser."
"A sério. Kremlin vem de kreml, que quer dizer fortaleza. Estas são as muralhas da fortaleza que o czar mandou construir aqui." Indicou os edifícios para além das muralhas. "O Kremlin é um complexo administrativo que inclui palacetes, jardins e até igrejas." Apontou para umas cúpulas douradas que reluziam à distância.
"Estás a ver aquilo? São as cúpulas da Catedral da Assunção, construída exactamente no meio do complexo."
Desiludido, Tomás já não quis visitar o Kremlin. Preferiu arrastar a mala até junto da espectacular Catedral de São Basílio, que sempre confundira com o Kremlin, e ficou a contemplá-la, maravilhado.



Para ele, o Kremlin seria sempre aquele belíssimo monumento, dissessem o que dissessem. Percorreram as capelas do interior uma a uma, mas os encantos da catedral não lograram iludir-lhes a fome.
Perto das três da tarde, já cansados e com alguma fraqueza, deram a visita por concluída e decidiram fugir para outro lado.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

E no final quanto custa um projecto destes?

Esta é talvez a primeira pergunta que fazemos quando pensamos em realizar um projecto desta envergadura! É claro que podemos sempre procurar uma agência e pedir um orçamento, mas garanto-vos que o valor que vos será apresentado é sem dúvida nenhuma, muito desencorajador! Portanto, o melhor mesmo é arregaçar as mangas e organizar a nossa própria viagem! E foi isso que procurei fazer desde o início, tendo recorrido a uma agência apenas para tratar dos bilhetes de comboio, por forma a garantir a reserva dos mesmo, uma vez que o tempo que disponhamos para a viagem era curto (21 dias). Para quem planear fazer uma viagem sem limitações de tempo, ou seja, se não tiver bilhete para aquele dia pode sempre tentar no dia seguinte ou dois dias depois, pode comprar directamente na estação. E o mesmo acontece com o alojamento! Tirando talvez as grandes cidades como Moscovo e Pequim, a facilidade com que se encontra um local barato e com boas condições é grande!
Assim, e fazendo umas contas rápidas (e com alguns arredondamentos dos câmbios), o custo da viagem foi o seguinte:

TRANSPORTES
Avião
Lisboa-Helsínquia (British Airways): € 263,00
Pequim-Lisboa (British Airways): € 660,00
Comboio
Helsínquia-S. Petersburgo: € 58,80
S. Petersburgo-Moscovo: € 110,00
Moscovo-Irkutsk: € 419,00
Irkutsk-Ulaanbaatar: € 160,00
Ulaanbaatar-Pequim: € 160,00
Autocarro
Irkutsk-Khuzhir (Olkhon)-Irkutsk: € 25 (inclui taxa de bagagem)
TOTAL TRANPORTES: € 1855,80

ALOJAMENTO
Moscovo (apartamento 1 noite): € 25,22
Irkutsk (Grand Baikal Hostel 1 noite): € 27,21
Irkutsk (Hotel Angara... para registar o visto!): € 63,97
Olkhon (Sunny Hostel 2 noites): € 34,51
Ulaanbaatar (UB Guesthouse 2 noite): € 7,11
Buuveit Camp (Tsolmon Travel 2 noites): € 66,27 (inclui 3 refeições p/ dia, transporte e entrada no parque)
Pequim (Harbour Serviced Apartment 3 noites): € 21,54
TOTAL ALOJAMENTO: € 245,83

VISTOS E SEGUROS
Rússia: € 122,00
Mongólia: € 75,93 (não está incluida passagem para Londres para tratar do visto)
China: € 35,00
Seguro Viagens (Rússia/Mongólia/China): € 35,00
TOTAL VISTOS E SEGUROS: € 267,93

TOTAL: € 2369.56

Tudo o resto depende do que cada um pretende gastar em alimentação, visitas e passeios extra, compras, internet, etc. No final a despesa saldou-se à volta dos 3 mil euros, com um passeio de autocarro em S. Petersburgo, um passeio de barco em Moscovo, entradas nos locais visitados (Cidade Proibida, Grande Muralha, Catedral de S. Basílio, etc.), metro, táxis e outros transportes (Grande Muralha, passeio em Olkhon, etc.), alimentação tipo fastfood (Mac) ou 'babuskas', mas também mais requintada (Monet em Irkutsk), poucas compras, e pronto!

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Ainda a juntar informação e a arrumar a casa!

Ainda não consegui 'arrumar a casa' por forma a deixar um relato final, algumas conclusões (mais à laia de reflexões e/ou avaliações) e todo um conjunto de informação (orçamento, dicas, truques,etc.), que penso que serão úteis a todos aqueles que sonham percorrer este trajecto.
Agora que estou de volta, o tempo tem sido distribuído entre as 'sessões de apresentação' aos amigos e familiares, e ao trabalho, numa rotina completamente diferente daquela a que me fui habituando durante os 21 dias da viagem.
Os posts do diário de viagem vão sendo actualizados (algumas fotografias vão aparecendo deslocadas temporariamente) e a coisa vai-se compondo aos poucos!
Entretanto, e para aqueles que já sonham (e projectam) esta viagem, se tiverem dúvidas, não hesitem e deixem perguntas/sugestões nos comentários. Prometo responder a todos!

sábado, 6 de setembro de 2008

Actualização do blog...

Caros amigos, agora que estou de volta (com total acesso à net e com a possibilidade de colocar fotografias), pretendo fazer uma descrição mais pormenorizada desta viagem fantástica!
Assim, estou a escrever um post por cada dia da viagem, com as respectivas fotografias (e comentários vossos), procurando manter, logo no início de cada post (e em itálico) o que foi escrito durante a viagem!
Fiquem atentos!

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Trans-Sib #21 Regressamos a casa...

Regressamos a casa...
O dia começou cedo, por volta das 07H00 com as últimas arrumações das mochilas, a saída do apartamento em Pequim e o caminhar, pela última vez ao longo da Dongzhimenwai Daije, em direcção ao Airport Express, o transporte directo do centro da cidade para o aeroporto.


A caminho do aeroporto de Pequim.

Despachada a bagagem, tratado todo o procedimento de passaportes e carimbos (foram uns três ou quatro carimbos distribuídos entre o passaporte e o cartão de embarque) e da segurança, foi tempo de tão desejado pequeno-almoço. Lá conseguimos uma cafetaria que nos serviu umas sandes, uns sumos de laranja e cafés ou cappuchinos. Já com o estômago mais reconfortado fomos gastar os últimos yuans no free shop!


Este esteve na cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos... lembram-se?


Espaço Zen no aeroporto?

O resto do dia foi ocupado na viagem até Londres, onde cada um ocupou o seu tempo quer a ler, a dormir ou a ver filmes (eu vi quatro... já tinha os olhos em bico e não tinha nada a ver com o facto de estar a sair da China!).


O nosso passarão... 747-400!

Uma paragem de cerca de duas horas em Londres para fazer a ligação para Lisboa, e, novamente, dentro de um avião durante mais duas horas e meia! Desta vez acabei por adormecer uma meia hora o que se revelou pior, pois quando acordei tive a sensação de acordar a meio da noite depois de ter dormido apenas uma hora! Maldito jet-leg!
A chegada a Lisboa foi à tabela, por volta das 21H15, com uma passagem rápida pela alfândega, que deu para fazer conversa sobre a nossa viagem!
O regresso tem sempre uma parte maravilhosa, o rever aqueles que nos são queridos! E lá estávam eles, de sorriso nos lábios, de braços abertos, tal qual o 'regresso do filho pródigo'...

Trans-Sib #21a - Chininglish

Um termo fantástico para algo maravilhoso!
Imaginem que os chineses, na sua enorme vontade de abertura ao ocidente (por lá tudo é enorme!), deram em traduzir tudo para inglês! Vai daí, toca de usar os tradutores automáticos que se encontram na net e o resultado é simplesmente maravilhoso!
Durante a viagem já tinha ouvido histórias destas contadas pelo pessoal que estava a fazer a viagem inversa (Pequim-Moscovo), mas nada como ver ao vivo...
Aqui ficam duas pérolas!


Pois...


O melhor é ficar longe...

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Trans-Sib #20 A Grande Muralha

Um dia fantástico e cheio de aventuras!
A manhã foi dedicada a visitar a Grande Muralha, ou melhor, uma parte dela, perto de Badaling, que fica a cerca de 70 km da capital chinesa!
Recorrendo a mais uns escritos em chinês (modalidade mais que comprovada e recomendada a quem se proponha andar por estes lados) lá apanhámos um táxi para o terminal dos autocarros. Ou era muito simples ou estamos mesmo a ficar prós nestas andanças! Entrámos no autocarro, e só depois é que nos perguntámos se seria suposto comprar bilhetes antes! Não era necessário, pois existem 'picas' que vendem os bilhetes a bordo!
Uma hora é o tempo que leva desde o centro de Pequim (perto de Deshengmen Qiao) até Badaling, através da Badaling Expressway, uma via rápida que atravessa a zona norte da cidade e arredores. O tempo manteve-se sempre cinzento, mas nem por isso os ânimos acalmaram. Não é todos os dias que se visita uma das 7 Maravilhas do Mundo! Por isso, até podia estar a chover que a excitação não seria menor! Não vou nem tentar descrever o que vimos... ficam as imagens!


A perder de vista... e não é devido ao nevoeiro!



As fotos da praxe: na intermnável subida; uma perspectiva; sobe, sobe...; uma torre de vigia.


As pedras estão pejadas de inscrições do tipo "Mingau esteve aqui" ou "Wang ama Fu".

A parte da tarde foi ocupada entre compras (as meninas) e a actualização dos blogs (os meninos). Pela primeira vez foi-nos pedida a identificação e ficou tudo registado (e possivelmente gravados todos os acessos que fizemos na net... Chinese Big Brother is Watching You!).
A noite foi reservada para o tão famoso Pato à Pequim, que na verdade se chama Pato Lacado, devido à capa caramelizada que tem! A reserva estava feita desta a noite passada, em mais uma fantástica tentativa de comunicação (por telefone). A primeira aventura foi o transporte do apartamento até ao restaurante! Táxi... a melhor opcção (ou talvez não!). A técnica consiste em ter tudo escrito em chinês (pedir de preferência a um chinês) e depois mostrar ao motorista! A primeira viagem levou-nos a um restaurante que segundo informações locais, estava fechado havia algum tempo! Portanto, teria que ser o outro com o mesmo nome (uma cadeia de restaurantes?). O problema era saber exactamente onde estavamos. Nada como perguntar a um polícia que com os Jogos Olímpicos até aprenderam inglês! Pois... eu também aprendi russo, mongol e chinês, é pena é não chegar para comunicar! Numa nova tentativa, o taxista mostrou-se logo conhecedor do local! Com a ânsia de lá chegarmos nem reparámos que o fulano não iniciou o taximetro! Ou seja, pagas o que ele te pedir no final! Ao fim de 15 minutos e algumas voltas, estavamos frente ao restaurante! Seria? Com esta brincadeira pagámos 60 yuans (a média que tinhamos pago até agora andava pelos 20 yuans!).
Entrámos! Pelo menos o nome era o mesmo, e na recepção as empregadas confirmaram ser aquele restaurante... mas nada de reserva! Quatro lugares? Claro! As salas eram tantas que não haveria problemas com lugares vagos! E assim lá fomos encaminhados para uma mesa, no meio de uma sala enorme, com empregadas a andar de um lado para o outro!
O Pato Lacado é quase uma instituição neste país, e cada pato que é servido vem com um certificado do 'número de série' desde a data em que o restaurante foi criado, 1864! E toda a preparação é como que uma representação, bem encenada e cheia de pequenos pormenores! Até o atestar do búle do chá é só por si uma arte...
E por fim, o saborear de algo que não tem igual!


Pronto a servir...


Delicioso!

O final da noite reservava uma surpresa! Finalmente encontrámos o tão falado mercado de comida que o João andava a falar! Afinal, não era mais do que o mercado nocturno de Donghuamen onde se podiam encontrar barraquinhas com os mais variados acepipes exóticos! Desde as normais espetadas de choco ou camarão, até aos escorpiões, casúlos de mariposas, centopeias e cobra!


É à escolha do freguês!


Estava na fase do saborear o primeiro... primeiro estranha-se e depois entranha-se!

E como o prometido é devido, fui à aventura e escolhi uma espetada de cinco casúlos, bem estaladiços e muito saborosos! Até o Doutor me acompanhou...
Depois fui comer uma banana frita e fiquei enjoado! Já não consegui provar o escorpião! Será que já não estava habituado a comida normal?



Hoje acordamos mais cedo para aproveitar a temperatura mais fresca da manha na visita a Grande Muralha. Optamos pela seccao de Badaling, um dos locais mais preservados (e tambem mais turistico e comercial), que fica a cerca de 70 km de Pequim. O dia acordou cinzento com uma neblina baixa (mais fresco mas para as fotografias e pessimo!).
Apanhamos um taxi a porta dos apartamentos para o terminal de autocarros (gracas aos papeis escritos em chines que vamos pedindo na recepcao). A viagem de autocarro dura cerca de uma hora e custa apenas 12 yuans. Um autocarro cheio de chineses e ate uma guia que insistia em descrever em chines qualquer coisa sobre Balading (foi a unica coisa que entendemos).
A Grande Muralha e BRUTAL! E apenas percorremos uma (pequena) parte desta seccao! O tempo manteve-se sempre encoberto enquanto por la permanecemos, e somente quando decidimos regressar e que comecou a abrir (o costume, portanto!). O regresso foi novamente de autocarro, que segundo parece so existe de 2 em 2 horas!
A parte da tarde foi para compras e para encontrar um ciber cafe... este de onde vos escrevo. Ja sei... "venham as fotos!" Prometo que assim que possivel estarao disponiveis!
Esta noite espera-nos o famoso Pato a Pequim!

(escrito num cibercafé, perto do apartamento, em Pequim, no dia 2 de Setembro de 2008)